The Lair of Seth-Hades: Agosto 2010
Arte: Meats Meier - http://beinart.org/artists/meats-meier/gallery/meats-meier-2.jpg
Presente do amigo Zorbba Baependi Igreja - artista plástico, poeta e um dos idealizadores da Revista Trimera de Letras e do Projeto Academia Onírica [poesia tarja preta].

LIRA ANTIGA BARDO TRISTE & LIRA NOVA BARDO TARDO

Galera, estou pondo uma conta PagSeguro à disposição, para quem [assumindo o risco por sua própria alma] tenha interesse em adquirir um de meus livros [Lira Antiga Bardo Triste ou Lira Nova Bardo Tardo]. O custo de cada exemplar é de R$ 10,00 + R$ 5,00 de frete. Valeu! :D

P.S.: a PagSeguro não fornece um sistema de cadastro de vários produtos, de modo que, quem efetue a compra, deve me enviar um e-mail [iarcovich@hotmail.com], ou mesmo me deixar 'comment' aqui mesmo num dos 'posts', dizendo qual exemplar deseja receber. Por hora, a forma de pagamento disponível é apenas a de boleto bancário. Amanhã já liberam pra cartão. ;)

Pag Seguro - compra dos livros

Carrinho de Compras

terça-feira, 31 de agosto de 2010

SÔNIA


SÔNIA *

Em.Sônia habito, no.turno dela. Se dê.pressão, já clar[e]ando, e ao sol chama vá.dia. Em.si.Nero tudo que noites contigo são dias a.menos. Com.prazer-se [nos vícios] há mais. Sol.te és.cravo das noites, ó Lua. Com.tornes és.paços fugi.dia e com ele par.seria. Mas apelo apela pêlos cantos. Se o afeto afeta que e.feito és.calda e corpo inteiro. E és prova.ação com bis à cada noite. Que de su.surros gosta a.gosto: morde.iscar, pés.cá, mãos lá. A saber que não se pé.cá se faz-zêlo. E, com.torce.ida, ela volta tão.bem quanto. Ah.de.vinho o teu sabor. Quis sorver-te boca.e.aberta. Te acho.cola.atada e se.parar-nus não dá. Quer movimento e sempre. E por vingança à costa nua sangra-dor. Que é de se querer a praia toda és.tensão em ondas su.aves. Contra elas, nu, vão piro. Acre.dito que supere.este.mar que ela crê.ser, mas não é nada, e me afoga inda assim. Deste-me.ida, sempre em.volta em mistério. Minha arma.dura fez amoldar-se a si, enquanto falo te rever.ber[r]ou nas fibras mais íntimas. E eu que queria subli.mar-te. Mal.em.tens[o].eu.nado o mar bravio teu e com velas enfunadas – enfim todas. E se mando-ar me falta. Cipó der dê.mando-ti inda mais, fetiche meu. Porque tu és.passos cá.dentes com cheiros és.alados de ti. Mais cá.dentes finco [e com a.finco] até o que és.tem.nu.ar.te. E mesmo nua, diz.vendada para mim. Conheço-te às cegas. E não te toco a tez ouro senão no onírico. Ante.vejo-te o rosto, mas o corpo sorvido é servido em doses fartas sub-lunares. Trás.veste.idas noites de dias inteiros em que me em.si.nua em teus volteios e ciclos. E tornas e voltas sempre a querer mais me com.sumo-ir. E úm.ida volta duas, três e toda vez.  E se parte.ida de todo não se vai, sempre deixa algo comigo. Nova noite, novo dia, novo ar. Menina-mulher-faceira-amada-amante, se cheia, nova, crescente ou minguante, que faz, se amanhã terá de novo?



Francisco de Sousa Vieira Filho

FOTO: 66trer.jpg [http://lastnightsparty.com/] - 2010

* minha homenagem ao último e visceral exemplar da revista Trimera.

domingo, 29 de agosto de 2010

FRENTE & VERSO e BAFEJAR DE DEUSES



FRENTE & VERSO

No verso, toda folha tem ranhuras
São teias com inscrições obscuras
E veias de um amarelo insondável
Que, também, faz-se inquebrantável

Elo.si.dando aquilo que procuras
No seio, doutro seio, quer amável
Se quer dá-se além palavras duras
As que caídas em papel palpável

E atordoa outros papéis encena
A todos marca o mesmo triste emblema
Que amarela ou amarele, tudo quebra

E não se pode bem fugir a esta regra
Que amar.é.lá[r], pois aqui é só blasfema
Que, do outro mundo, a.mor te acena

Francisco de Sousa Vieira Filho
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BAFEJAR DE DEUSES

À boca tua que ao mundo beija      
Que outro sabor deveria afeiçoar-te
Senão o que mais tempo passa aí?!

O doce da hortelã que ela bafeja
Só, em fugaz instante, vem felicitar-te
Sonhos dum mundo distante daqui

Francisco de Sousa Vieira Filho
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PORQUE BELO [E JULGO ATÉ MELHOR QUE O MEU], TOMEI A LIBERDADE DE PÔR AQUI, LADEANDO A ESTES, A RESPOSTA POÉTICA CARINHOSAMENTE FEITA AO SONETO FRENTE & VERSO PELA POETISA ADRIANA ARAÚJO DO POLENRADIOATIVO. ESPERO QUE APRECIEM:

DIVERSO

Aquilo que na folha já nasce enraizado
Enquanto amarela, difícil é que pereça
Nas ranhuras, que aparece derramado
Ensina, de risco, manter distância ilesa.

Atento, há de ver em papel manchado
Triste alimento que lhe corre nas veias
Amarelo esquecido de um tempo gasto
Compulsão perdida contra sorte alheia.

Diverso seria escolher outra passagem
Quer amarele o inverso posto, medeia
Quando amor te calcina a vã miragem,

Em desamparo, na busca do que seiva
Amarelado cobertor d’uma escrita torta
No seio, a solidão do verso que mereça.

Adriana Araújo polenradioativo


FOTO: Francisco de Sousa Vieira Filho

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ú.TER.Ú & ETC...



PERSCRUTAR TEU Ú.TER.Ú

Ao se ler e se admirar quem escreve, se quer, sempre, antever o quanto da alma dele está impressa na escrita, o quanto ele se permitiu aprofundar de si ali, o quanto se perdeu nos meandros dos grafismos no papel. No quimérico mistério, se quer saber o quanto és.finge-dor e quanto dói na esfinge o seu mistério. e quanto mais bela é a escrita, quanto mais profunda e tocante, quanto mais se revela artística e mágica, quanto mais nos toca, maior o desejo de sondar a alma por trás do escrito. Principia-se em pesquisa biográfica e termina com o querer conhecer seus amores e dores, ler as cartas menos artísticas e mais pessoais por ele enviadas, e até a.fagos.citar cada uma de suas menores lembranças como se frases de efeito e balizas do viver. Passa-se a amar cada vez mais a alma do escritor que seu escrito... É que se quer saber, em verdade, quanto há dele no branco entre as linhas, no vão entre as letras, na aspereza impessoal do papel impresso, despido das marcas da passagem de suas mãos, sem a pressão exercida ao grafar cada letra. E se desejaria encontrá-lo ainda no rodapé das páginas à espera de rabiscos e notas que se.quer possam suprir o vácuo sentido...


Francisco de Sousa Vieira Filho


AO EM.BEL.LESAR

Divisar o belo no imperfeito, no falho, no humano, como aprecia o expert na obra antiguíssima, mais as ranhuras que o tempo lhe fez, que as pinceladas do artista, é algo raro, extremamente raro... que se dirá de ver o belo no feio, ou mesmo no grotesco, na arte de cunho soturno, na decrepitude das velhas construções, na madeira podre, naquilo que trás e guarda a mesma marca que nos marca o tempo dos ponteiros. Gostar da vincada pele como goste dos sulcos da rocha esculpida que o tempo pacientemente desgasta – acaso isto não é amor?!...


Francisco de Sousa Vieira Filho
 

A.COSTA.O.MAR

Amar é trabalhoso. Exige entrega e tempo. Conhecer manias, temperos, gostos. Apreciar mesmo o que causa.a.dor de nossa alegria. É o perfeito equilíbrio de se bem-querer neste limiar imponderável entre vício e virtude. São gestos e atitudes, a pontilhar em cada dia caminho que se faz ao fazê-lo. E é zelo, entrega e atenção, no pulsar do coração. De mexer nas fibras mais íntimas, pra, por fim, desconhecer, no bom tecer de cada dia. E é desaprender e a tudo refazer inda uma vez mais, mesmo a despeito de tantos ais. Que a tela da vida se pinta e é nova arte e todo dia. 


Francisco de Sousa Vieira Filho

PRA.LAVRAR VÃO

Algumas palavras são mais que palavras, são frases inteiras, falam muito além do que o seu significado pode condensar em suas poucas letras; outras são textos, a dizerem muito, deveras; mas há aquelas que são livros inteiros e imensos volumes: sussurrar, mordiscar, sorver são bons exemplos... palavras que têm alma maior que seus corpos...

Francisco de Sousa Vieira Filho

FOTO: suren manvelyan -> http://www.behance.net/paronsuren/Frame/428809

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DEPRESSÃO


DEPRESSÃO

Às ocultas, sempre, eu perquiria
Nos refolhos de minha tenra idade
O reflexo que em mim luzia
Da Justiça, do Amor e da Verdade

E bem mais durado isto teria
Se, do dia, a outra face, da maldade
Não me engolfasse, na caducidade,
A mais terna luz que mal nascia

Que essa pálida semente padecia
De sua gêmea-irmã, fatalidade
Que, na sombra-estiolada, urdia

Tola idéia de que se és.vazia
Toda a vida desde aquela idade
Que me toca e enoita até o dia

Francisco de Sousa Vieira Filho

FOTO: Alvaro Sanchez-Montañes - desetindoors - http://www.zupi.com.br/index.php/site_zupi/view/deserto_entre_quatro_paredes/

domingo, 15 de agosto de 2010

DIZ.AÇO.CEGADA LÂMINA



DIZ.AÇO.CEGADA LÂMINA

Ré-num-se-é-ação
Por isso sigo
A remo.dela.ar-te
Praia.e.mar-te
A.fazer in corpore sano
Com.petição de princípio
Se ré.moda - lá
A.cor.des-te o silêncio
A ti dei.ficar,
E se te avô-lume tanto
Há paz e filhos, evoé!
Tu, foi-se cortante,
Diz.aço.cegada lâmina
Pa.lavras até agir-las
A moldá-las
Como bem se queira
Comendo-as, farto
Veia cava a via
Em que se em.tesoura
E dê.seja.arte És-calar
Nas saliências e curvas
De teu corpo
E com a boca cheia
Livre.é.tua.são
Em.sanos gestos
E se ao dê.com.pôr
Cada nota su.ave
Te em.lace em.galho.lá[r]
Ver.gastasse-me alma
Que é de falt.ar
Que somos feitos,
Sempre nus, falta
Algo a que quereremos

Francisco de Sousa Vieira Filho

ARTE: Luiz Royo

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

AH, PRÉ-CIAR




AH, PRÉ-CIAR

Nesta amar-ação
A-prece-ando-te
Não com-medido
Que se a prece há
Diz-medido sigo
Divagando ao sol
Te a-preço o passo
Ao não-ser do dia
Que n[esse paço]
Teu átrio dá vida
E como a pré-cio
E te rasgo a redes
À cost[a] ur[r]ar-te
Para amor[tecer]
Teu diz-com-ser-tu
Te seio com fome
Minha ando rinha
E falta-AR-TE-ei
A fart-ar jorra-ar
Jorra.nada depois ía
A-com-praz.o-ermo
Se te en-lutas vãs
Te perturba-ar-dor
Diz-prezo os lutos
Que su por-to amar
Éu.mastro-u[n].ave

Francisco de Sousa Vieira Filho

FOTO: http://www.tumblr.com/ tumblr_krwu8mlJsg1qzdhvpo1_500

domingo, 8 de agosto de 2010

ANDAIME



ANDAIME

Não é a poesia que precisa do mundo, 
o mundo é que precisa depois ía, 
justo porque ela imprecisa.


Curta a noite. Que tão-logo passe. De flor ar teu caminho. A-risco feito coisa-feita. Sem amar-às uma – diz-[carta às] na manga. E à dor hei de sem ti, [bem sei me]. Se ainda de moro-te. E me parece viva. Quase se movente. Deste-erro se aprende. Como de todos mais. E no prato mais fundo. A-larga margem de erro, se faz de muito rio da vida... Amasse o erro como, sábio, ama[ssa] o pai ao ver, nu cair do filho, o aprendizado de andar... Se me des-pido é que te peço compre e são. E, na trilha deste andaime, sigamos, pois; que divagar com a dor [e com anda-e-ame] face bem; se faz que passe logo... A no[i]te tudo ao fim. Ía-té, mais ti[arde]... Vou! Ir-rei és quer ser se nus me uso erros crê só.

Francisco de Sousa Vieira Filho
FOTO: http://ffffound.com/image/51d8605a93847465949b387966d502d865631f4a?c=4705051