The Lair of Seth-Hades: 04/20/08
Arte: Meats Meier - http://beinart.org/artists/meats-meier/gallery/meats-meier-2.jpg
Presente do amigo Zorbba Baependi Igreja - artista plástico, poeta e um dos idealizadores da Revista Trimera de Letras e do Projeto Academia Onírica [poesia tarja preta].

LIRA ANTIGA BARDO TRISTE & LIRA NOVA BARDO TARDO

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domingo, 20 de abril de 2008

VERDADE E OPINIÃO


VERDADE E OPINIÃO
Cada pessoa tem o direito de pensar como queira, mas, cotidianamente, cometemos o 'equívoco dos equívocos' ao dizermos "eu tenho minha verdade, você tem a sua, etc", alcunhando a nosso pensar (qualquer que seja ele) com o pomposo título de verdade.
Ora, podemos chamar de verdade aquilo que pensamos simplesmente porque pensamos assim ou assado?! Comportamo-nos como os "Pilatos do agora", que débil, maliciosa e tolamente, se perguntam: "mas o que é mesmo a verdade?!" E desdenhamos privemos de fundamento as entrelinhas desta mesma proposição: 'que não há verdade' – fazendo-se, ela mesma, igualmente uma mentira.
Acaso a verdade é decidida pela vontade da maioria, em assembléia?! O que é verdade depende de cada sociedade, grupo, religião?!
Houve época em que pensávamos que a Terra se postava no centro do universo e que o sol e demais planetas gravitavam em torno dela. Porventura por termos pensado isto e professado tais idéias como se se tratassem de verdades, elas assim se tornaram?! Foi a verdade sobre tal evento que mudou ou teríamos sido nós a mudarmos, percebendo que não era bem como anteriormente acreditávamos?!
Se eu tenho minha verdade, posso muito bem cambiá-la – como minha verdade que é (e faria do modo que bem me aprouvesse, já que é minha) – a que eu possa matar a todos os leitores deste texto por direito legítimo de uma verdade que é minha, ou ainda que possa ser o dono do mundo, já que, afinal, é minha verdade mesmo!
Como vemos, as pessoas confundem verdade com opinião (mera crença). Desde o Timeu platônico temos que verdade seria uma crença verdadeira justificada, ou seja, é uma crença com pretensões de validade fundada em sua justificação.
"Ah, toda a nossa realidade bem que pode ser mera ilusão", levanta-se alguém. – Sim, pode. Mas ela se torna isto pela simples hipótese que ora se levanta?!
Como sustenta Karl Popper, lançamos 'hipóteses' (opiniões, crenças) sobre as coisas do mundo, e elas são testadas em contraste com os fenômenos (modo como as coisas do mundo se nos apresentam). Não se sabemos se as coisas se nos mostram de fato como são. A estabilidade dos fenômenos, (repetitividade; experimentação) nos leva a crer haja igual estabilidade nos próprios objetos observados, sem que possamos dizer – com as condições de que dispomos no hoje – que os possamos conhecer em inteireza e plenitude, que possamos divisar a coisa-em-si dos objetos, sua essência. Mas conhecemos os fenômenos (modo como as coisas se apresentam a nossos sentidos), e há estabilidade nisso, pois há repetitividade em condições iguais (C.N.T.P.).
Ora, que possamos julgar que os fenômenos não são as coisas em si, e que conhecendo os fenômenos não conhecemos o 'ser das coisas', é fato. Podemos até dizer, com razoável grau de certeza, que os fenômenos talvez não passem de ilusão, mas eles são a nossa ilusão, e uma ilusão que demanda certa estabilidade, que nos permite conhecer (ainda que somente aos fenômenos e não à realidade em si).
Professar, por exemplo, que 'eu tenho a minha verdade; você, a sua' é solipsismo tolo e certo ranço das humanidades que tentam negar (e introjetar-se) aos fantásticos resultados das demais ciências, permitindo-nos mesmo possamos negá-las, de todo, sobretudo quando vemos isto ser feito por meio de programas de rádio e televisão, em conversas informais que eventualmente travemos com amigos através de telefones celulares ou ainda via internet, meios que nos desmentem com vigor.
Opinião, cada um tem a sua... Verdade, não!
FRANCISCO DE SOUSA VIEIRA FILHO.[1]
Também disponível em:
http://www.portalodia.com/jornal/pages/pdf_20-03-2008_6
_20080319214653.pdf (Verdade e Opinião)


[1] Francisco de Sousa Vieira Filho é advogado em Teresina-PI, militando na área trabalhista, professor de Filosofia Jurídica e Criminologia (FAESF – Floriano-PI), especialista em Direito Constitucional e mestrando em Direito pela Universidade Autônoma de Lisboa – UAL.