The Lair of Seth-Hades: ERMO - ÉDEN PERDIDO
Arte: Meats Meier - http://beinart.org/artists/meats-meier/gallery/meats-meier-2.jpg
Presente do amigo Zorbba Baependi Igreja - artista plástico, poeta e um dos idealizadores da Revista Trimera de Letras e do Projeto Academia Onírica [poesia tarja preta].

LIRA ANTIGA BARDO TRISTE & LIRA NOVA BARDO TARDO

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

ERMO - ÉDEN PERDIDO




ERMO – ÉDEN PERDIDO

Palmilhar é o que arde ao peito do andejo,
Que sob lua enigmática nos céus reinante,
Num murmúrio derradeiro, é seu lampejo,
Qual se lhe falasse voz profética, sibilante.

É que lhe sussurra num silêncio benfazejo
A muda voz que dum coração retumbante
Lhe grita n’alma seu mais pungente desejo
O de persistir e caminhar a todo instante.

E abafa um resmungo mudo, inútil arpejo,
Sonhando se lhe restaure o status quo ante,
Mesmo se lhe dobrem os joelhos, arquejo,
Insiste só querer dali partir se triunfante.

E intenta em vão prosseguir ante o bodejo
Dessa estranha e muda voz que tão falante
Prossegue a lhe tanger à força, murmurejo
De como bem se vive a vida, ó caminhante:

Se de cada espinho em flor sinta o dardejo
E se te perfurem as pedras em dor ululante
O que se te parece ser caminho malfazejo
É o que te fará de novo puro qual infante

Que pra bem longe deste humilde lugarejo
Longa paz que se te haverá, amigo-errante.
Tu verás que bem mais há, pobre cabanejo,
Ao se te restaurar aquilo que já fora dantes.

Francisco de Sousa Vieira Filho

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p. 9.

ARTE:Fire Bird - http://artisalma.deviantart.com

19 comentários:

Mateus Luciano disse...

as palavras se encaixam perfeitamente como numa engrenagem
me sinto o mais mortal dos homens

aquele cuja poesia se torna pequeno diante de sua imensidão

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Bobagem, Luciano... sério, no duro... não faz muito e a poesia quadrada, perfeitinha [na fôrma], bonitinha [na forma], só seria vista como objeto de crítica e não de elogio... sensibilidade [poética] e musicalidade é o que conta... a forma a prática te dá...

Lembro de uma frase de Henry Ford que diz mais ou menos assim: 'não importa o que as pessoas pensem de um dom como algo ofertado a uns e negado a outros, o talento é sempre resultado do trabalho, burilado em sucessivas vidas'

As coisas por cá seriam meio injustas se uns tivessem e outros não [sem mais]... e como [sob nossa óptica menor - desta existência] uns têm e outros não, me parece a linha que divisamos [em corte] seja mesmo infinita pros dois lados...

Viagem! rs...

Elzenir Apolinário disse...

Bom dia, Francisco, quantas coisas vc faz, além de belos poemas.Está convidado a conhecer minhas releituras. Bjs

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Oi, Elzenir, tudo bem? Seja bem-vinda e sinta-se em casa... será um prazer segui-la também e compartilharmos um pouco de poesia e boa amizade... Forte abraço!

BAR DO BARDO disse...

A Natureza é o colo restaurador de forças. Muito bem!

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

E a nossa natureza idem... embora sequer saibamos quem sejamos... ;) Thoreau falaria melhor desse retorno ao Natural e ao natural...

Úrsula Avner disse...

Oi Francisco,

seu blog é bastante curioso e o poema é bonito com rimas cadenciadas e musicalidade nos versos. Obrigada por sua gentil visita e interesse em seguir meu blog. Depois volto com mais tempo para apreciar melhor sua escrita. Um abraço e seja sempre bem vindo em eus espaços poéticos.

Úrsula

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Oi, Úrsula, sê bem-vinda também... forte abraço! ;)

Nydia Bonetti disse...

É este desejo de seguir em frente a todo instante, o que nos mantém vivos. Eterna busca...

"Minh'alma segue, e não se cansa de caminhar."

Abraço!

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

De caminhar é que vive o caminhante; a estrada é seu tesouro, não a chegada - mera conseqüência da partida...

Bjaum, Nydia

Silvia Masc disse...

Não tenho formação literária, gosto daquilo que entra de forma saborosa aos meus ouvidos, e ao ler o poema,de repente estava lendo em voz alta, tem um ritmo gostoso.E me parece ser um final feliz.

abraços

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Oi, Silvia, tudo bem? Não creio possa existir 'formação poética', e se existe - posso dizer de carteirinha que não tenho [risos] -penso, poetas são todos os que têm sensibilidade pra ver a vida de um jeito 'diferente'... e você parece ver desse jeito... é tal qual disse "ritmo gostoso"; "musicalidade"; é permitir-se ser tocado pelo sentimento oculto sob o véu das palavras... - algo parecido com o que [como debatíamos poucos 'posts' atrás]

"E a quem queira definir a poesia
Tanto mais se afasta
Tanto mais se distancia"

Bem, é tal qual você mesma disse, melhor sentir esse "rítmo gostoso" que perder-se na tentativa infértil de compreender o que nem sempre pode ser compreendido [ou se pode por vezes não foi feito pra isso]... vivemos num mundo cheio de razão [tudo quer se render ao império do que é lógico e pra ser 'compreendido' com a mente e não com o coração]... dar asas à emoção é meio raro...

Após tanta embromação e viagem [risos], seja bem-vinda, este espaço é nosso...

Bjaum!

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

P.S.: o final é feliz sim... qual o cumprimento de um ciclo e o reencontro de si consigo mesmo... e a sabedoria de que mais importa a caminhada ao caminheiro... e de que as dores e agruras do caminho só existem pra nos tornar mais fortes e hábeis na tarefa por seguir... e por aí vai... ;)

Mais uma vez, seja bem-vinda... bjo!

;)

Silvia Masc disse...

Caro Francisco,
Muito me honrou a sua resposta e a sua presença no meu blog, obrigada, tn. pela sua amável acolhida.

Agora...
e de que as dores e agruras do caminho só existem pra nos tornar mais fortes e hábeis na tarefa por seguir...

Aqui pensando... será que apenas a custa de sofrimento nos fortalecemos?

Me ocorreram 2 frases
"Aquilo que não mata, fortalece" (Nietzsche)
"O que não se aprende no amor, se aprende na dor" (minha avó)

Zen disse...

Olá Francisco, estou passando pelo seu blog e adorando as suas postagens. Belas poesias que nos encantam e amenizam a nossa vida atribulada.
Obrigada por visitar o Montanha.
Um abraço.Zen.

mdsol disse...

Olá! Benvindo por lá. Voltarei aqui, seguramente.

:))))

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Oi, Silvia, estou com sua avó... seja pelo amor ou pela dor, no fim das contas, o que importa é o aprendizado... não lembro onde li que só se fixa, só fica marcado a ferro e fogo o aprendizado pela dor... viajando já, estudar em ambiente confortável demais, culmina em não-fixação do aprendizado?! rs...

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Oi, Zen, obrigado e seja bem-vinda... [;)]

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Oi, mdsol, obrigado e sinta-se em casa... ;)