The Lair of Seth-Hades: O CUPIM
Arte: Meats Meier - http://beinart.org/artists/meats-meier/gallery/meats-meier-2.jpg
Presente do amigo Zorbba Baependi Igreja - artista plástico, poeta e um dos idealizadores da Revista Trimera de Letras e do Projeto Academia Onírica [poesia tarja preta].

LIRA ANTIGA BARDO TRISTE & LIRA NOVA BARDO TARDO

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

O CUPIM


O CUPIM


Tu, que só labutas com lei contingente
és tão-só espírito indigente
busca o saber absoluto
e não te cinjas mais de luto.

É difícil, extremamente difícil... mas não impossível. Todos os dias, vez ou outra, percebo-me como um animal enjaulado. Um leão enjaulado. Preso, cativo de seu lar, seu zoológico. Acostumado a ter rações à boca todos os dias, sem preocupação qualquer em matar para obter seu alimento. Isso até um dia ser solto, liberto dos grilhões que o limitavam e, indubitavelmente, o protegiam.
Todos os dias é esta a lição que nos é posta: a de precisar matar para sobreviver, a "lei da selva". Somos juristas?! Advogados?! "Estudantes de direito, por enquanto". Somos animais!!! — eles dizem. E, como aquele leão que, outrora preso, agora está livre, somos forçados a caçar, a lutar e, por que não, a matar para obter nosso sustento. E lá estamos nós, soltos na selva de pedra. Livres, mas escravos, por termos a terrível tarefa de matar pra sobreviver. Talvez uma analogia tola, talvez a lembrança de eras longínquas, talvez...
Mas há algo que nos corrói por dentro. Algo que nos faz pressentir qualquer coisa de podre na superfície do establishment. Há algo que não nos permite ver tal luta como certa, como justa. Bem dentro de nós, de todos ressalte-se; mesmo daqueles que fingem não ver, ou que vedam seus olhos para isso. É aquele estranho cupim que nos corrói o que há de podre, que limpa, mas que também nos faz sofrer, sobretudo se estamos muito ligados à sujeira que nos circunda, sobretudo se — ainda que inconscientemente — dela nos julgamos parte. Somos qual aquele leão. Soltos agora, mas guardando dentro de nós o mesmo olhar de fera, o mesmo instinto de sobrevivência, prontos para matar e para morrer.
E as vozes dos "mestres" ecoam — um profissional do direito precisa mentir. Precisa sempre passar a imagem de que sabe, ainda quando esteja inseguro por dentro. Um advogado deve fazer tudo, TUDO MESMO, para defender seu cliente, mesmo quando tenha a convicção íntima de que está errado. Ele nunca pode admitir estar errado, antes deve impor como certo aquilo que pensa, até que, por meio dessa persistência, possa mesmo o juiz mais sábio e culto crer estar ele certo.
É... mas há "mestres" e mestres. Ainda assim, "aqueles" persistem em nos dizer sermos qual leão sanguinário, qual um bárbaro medievo, estando nós ali passando por um rápido e simples treinamento pra guerra. E depois disso teremos o "direito" de usar lindas armaduras: togas, becas e ternos enfeitados com belas gravatas; empunharemos nossas pastas como maças ou espadas, prontas para esmagar e cortar o próximo. Cavalgaremos nossos corcéis de seus 30 mil reais ou mais, com ferraduras cromadas e tudo. — Ah, que saudade do zoológico! Que saudade de não ter aquele cupim a me corroer! O cupim só destrói o que é podre, só come o que não presta, só limpa o que é lixo. — Ai dos vermes que querem viver a roçar na lama que reside dentro de si e no meio circundante!
Você agora deve estar se perguntando — poxa, mas eu só quero ganhar meu dinheiro, constituir família, ter meu carro, ser feliz fazendo o que faço. Não há mal algum nisso — pensa convicto. Será possível ser feliz enquanto um irmão, um semelhante, um ser humano qual a ti e tantos mais, ao seu lado está infeliz? Será esta a felicidade que procura? É... talvez não haja mal algum nisso, talvez sua percepção do que seja mal esteja falha... talvez a minha. Talvez... Mas eu não posso mudar o mundo — você deve estar refletindo. Mas será que — como nos diria Edmund Burke —, por saber só poder fazer bem pouco, você não estaria deixando de fazer o que pode?! Algo íntimo deve estar filtrando agora aquilo que percebe como certo daquilo que vê como errado. Ao fim terá melhor noção. Perquira a si mesmo, pergunte à sua razão. Ela te dará melhor conclusão que esta.
Mas devemos dar graças. Devemos agradecer a todos os mestres — mesmo "àqueles". Agradeço a todos os mestres que por mim passaram, deixando as mais valiosas lições, seja por conhecerem-nas bem ou por ensinarem pela negativa, pela negação, sem ao menos perceber que lições ensinavam.
Ora, se a "lei da selva" a esta luta nos impele, há uma outra Lei... uma?! Outras... muitas outras!!! Leis que nos gritam ao pé ouvido; Leis que nos fazem ver o que há de podre, o que há de errado; Leis que nos dão o parâmetro e que nos guiam. Será preciso matar pra sobreviver? E você diz — não estou matando ninguém! "Será que não?" Ah, que saudades dos mestres! Não "daqueles"! Que saudades dos que só falavam do que sabiam, daqueles que vinham a esta terra somente dar testemunho da Verdade. Daqueles que vieram pra nos mostrar que, sim, é possível.
Ah, como queria ouvir agora a voz suave do mestre a dizer — Meus filhos, "no mundo encontrareis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. E ele não disse isso senão para nos mostrar que é possível; para nos mostrar Leis outras que não a "lei da selva". Leis eternas e imutáveis. Leis de Amor, de Verdade, de Justiça e outras tantas que ainda olvidamos. Ele bem sabia que era difícil. E sabia, e provou ser possível. É consolador saber que — como disseram os mestres da Verdade — um dia todos chegaremos lá — uns mais cedo, outros mais tarde. Um dia...
É... é difícil (seguir esta trilha estreita e cheia de perigos), extremamente difícil... mas não impossível.
Francisco de Sousa Vieira Filho

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