The Lair of Seth-Hades
Arte: Meats Meier - http://beinart.org/artists/meats-meier/gallery/meats-meier-2.jpg

Presente do amigo Zorbba Baependi Igreja - artista plástico, poeta e um dos idealizadores da Revista Trimera de Letras e do Projeto Academia Onírica [poesia tarja preta].

LIRA ANTIGA BARDO TRISTE & LIRA NOVA BARDO TARDO

Galera, estou pondo uma conta PagSeguro à disposição, para quem [assumindo o risco por sua própria alma] tenha interesse em adquirir um de meus livros [Lira Antiga Bardo Triste ou Lira Nova Bardo Tardo]. O custo de cada exemplar é de R$ 10,00 + R$ 5,00 de frete. Valeu! :D

P.S.: a PagSeguro não fornece um sistema de cadastro de vários produtos, de modo que, quem efetue a compra, deve me enviar um e-mail [iarcovich@hotmail.com], ou mesmo me deixar 'comment' aqui mesmo num dos 'posts', dizendo qual exemplar deseja receber. Por hora, a forma de pagamento disponível é apenas a de boleto bancário. Amanhã já liberam pra cartão. ;)

Pag Seguro - compra dos livros

Carrinho de Compras

terça-feira, 9 de março de 2010

FILHA DE BACO

 
FILHA DE BACO
                                 
               ao Bardo Henrique Pimenta
              [pela inspiração de seu poivre]

Banqueteia-se a branca bacante
E entre as pernas suas sou cativo
Pois se no brilho de seus olhos vivo
Se me dominam elas num instante

Que pernas e quadris e que talante
Em meu corpo, a cair, fazendo iso
E de seus lábios um esboço, um meio-riso
Dela sou, pra onde vou, eis o meu guante

E de bom grado é que navego sua nau
Seja pro bem, meu bem, seja pro mal
Que somos um, favor algum, até o final

E se quer saber qual seja o gosto
Que tem seu beijo, e mesmo ao rosto
É puro mosto, creia, é puro mosto!

Francisco de Sousa Vieira Filho

ARTE: http://25.media.tumblr.com/tumblr_ky5hy8I1tL1qzzhs8o1_500.jpg

"a poesia não é menos bela
 Que a foto e a menina nela"

segunda-feira, 8 de março de 2010

EXPERIMENTO



EXPERIMENTO

Amar é qual o mar
Que de tanto se dar
Soa meio egoísta
Por vezes não basta - ah, mar,
Inda que sem fim,
Se tudo nele desemboca.
E bem mais que à boca
Não basta ter...
Quer-se abocanhar,
Possuir, estar...
Se quer mergulhar,
Se quer fagocitar,
E também se quer afago,
Onde não dá pra alcançar
[Um sequer...]
E fugir deste lugar incomunicável
De nós
Encarcerados no eu-só...
[E não-tão-facilmente-desatáveis]
Penso, há de haver sempre solidão,
Enquanto a linguagem
Do corpo, do coração, da alma,
Da boca, da voz e do que seja
Não possibilitar transmitir
O pensamento puro...
Melhor, o sentimento puro,
Puro feeling...
Ah, amar, 
Nem tanto ao mar
Mas por que tão terra?

Francisco de Sousa Vieira Filho

ARTE: http://24.media.tumblr.com/tumblr_kyfj28ETLN1qztsrto1_500.jpg

domingo, 7 de março de 2010

METALINGÜAGEM





LIRA PERDIDA

Na página adiante, a fria alvura
É um mar de tão branca secura
Que por tal palavra me faltasse
Na letra ausente eu me afogasse

E tateio, adivinhando a tessitura
Se dela inda estivesse à procura
Qual se a mim mesmo buscasse
Num travo à língua, um impasse

É que falta a cor, se oculta a face
E o próprio verbo criador descura
Qual se do fiat lux se ausentasse

E clama a metalingüística lisura
Na folha maculada, em sua alvura
Que eu a mim mesmo edificasse

Francisco de Sousa Vieira Filho

['sede oleiros de vosso próprio barro.']
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ATHENE NOCTUA*

Ah, poesia, linguagem caprichosa!
Do bom-ócio grego, o farto ventre
Dúbia e faceira, mansa e chorosa
Qual se nos achega quase sempre

Em sua dança geniosa não se curva
E se ao bel sabor o sentimento turva
Mal se presta a falar o que só pode
Cantar o coração em cifrado códice

Suas belas asas não deixa vergar
A quem só dela foge, se a pretende
Esforço vão, a vil noção conceituar

E em seus profundos olhos tende
Se co'a Filosofia alça vôo acúleo
A desbravar o horizonte cerúleo

Francisco de Sousa Vieira Filho

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p. 14.

* Athene Noctua era a coruja de Atenas, símbolo da Filosofia.

ARTE: www.williambennettgallery.com/artists/dali/pictures/large%20v2-DALI1162.jpg

sábado, 6 de março de 2010

O SOPRO



O SOPRO 

                 A Gabriel García Márquez

Cem anos eu passara conjurando
Fios, teias, mil lamentos
Arrefecendo o peito e cambiando
A toda sorte de tormentos

E cem outros tantos permutando
O fio frágil de mementos
Qual se o viver fosse enlutando
Em tais vis pensamentos

Quisera então que transmutando
Fosse em esquecimentos
Pudesse a memória ir embotando
Nestes débeis linimentos

Se uma tal dor fosse eu matando
Se com tais procedimentos 
E um derradeiro laço seu atando 
Ao último dos sofrimentos

Francisco de Sousa Vieira Filho

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p. 31.


ARTE:  Hallway - Tuomas Korpi - http://www.tuormarskorpi.com

quinta-feira, 4 de março de 2010

SONETOS À [IN]FINITUDE DO ENTE E DA ESSÊNCIA


VIDA, EFÊMERA VELA?!
VELA, EFÊMERA VIDA!!
                    
                         I
Todos os dias eu a vejo queimar
Tranqüila qual a mansidão do mar
Mas, em tempestade, também grita
Por supor que um dia findará aflita

E quem dela vê os detalhes amiúde
Bem sabe, longe repousa a quietude
Seu cerne, o cordão neural, queima
A cera que o reveste derrete, teima

Será a vida qual efêmera vela?
Tola indagação que a razão insulta?
Ou triste a realidade que revela?

Se abismal é a analogia vela-vida
E dialética tal aproximação inculta
Pouco se terá perdido nesta lida.

Francisco de Sousa Vieira Filho
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TRAJETÓRIA D'ALMA

A Vida se esvai qual água por entre os dedos
E como a água Ela também não se finda
Somente transmuta, escorre e escapa ainda
Que estejam colados os dedos qual sê-los

E é do tabernáculo das mãos em concha
Que Ela foge e escorre por outros lugares
Peregrina em distantes terras esta monja
Para encarcerar-se então em outros lares

Se é só ao fim da longa trilha da evolução
Que se perfaz concreta tão maior unidade
Entoa o maestro os gestos finais da canção

Quando a gota adentra ao oceano em União
É que terá real noção de que seja Verdade
Que se há algo que um dia finda é a saudade.

Francisco de Sousa Vieira Filho
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SUBLIME CLARIDADE

Clamamos à mais alta Claridade
Que nos lance derradeiro estertor
Se nos descortine toda a Verdade
Pela força e fé no Supremo Amor

Que Saibamos ser mais que húmus
O Fulgor que jaz em cada homem
Sendo a Centelha mais que fumus
Mais que dor pela qual nos tomem

Até a simples réstia que faça jorrar
Do alto da Montanha, lá da Crista
É-nos imensa fonte e infinito mar

Ensina-nos a palmilhar a tua Pista
Encerrada no tênue brilho do olhar
Além de onde pousa a humana vista.

Francisco de Sousa Vieira Filho
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FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. pp. 49, 57, 60.

ARTE:  http://www.qualified-lifecoach.com/images/1DeviantArt.jpg


quarta-feira, 3 de março de 2010

DA DOR DE AGORA


DA DOR DE AGORA

Quero chorar e não tenho lágrimas 
Não, não as possuo mais! Não mais! 
É que as quero todas nessa alegria que tenho 
E, por malfadadas palavras, buscá-las venho 

Sinto-me triste qual feliz é o boêmio 
Qual o queimar da chama sem o crepitar do lenho 
Ah! Quantas dores terão secado meu cais! 
Algumas ainda ecoam nestes meus tristes ais. 

Passei agora (para muitos) o limite do crível 
E mesmo que esse meu falar seja punível 
Ainda assim, jamais eu iria recuar 

A presença das lágrimas não há de a dor apagar 
Deixai então meu íntimo chorar 
A dor da Felicidade [ainda] inexeqüível. 

Francisco de Sousa Vieira Filho.

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p. 20.

ARTE:  Night Butterfly - IsabellasART - http://isabellasart.deviantart.com/art/Night-Butterfly-Shadow-Puppet-91902932

terça-feira, 2 de março de 2010

SUPREMO TRIBUNAL


SUPREMO TRIBUNAL

Quem és tu??? 
Quem és tu, que chegas manso 
E logo nos engendras ranço? 
Tu, que por vezes trazes  
A paz acolhedora do ninho,
Em outras tantas pareces  
O algoz dragão-moinho!
Tu, sempre nos guia e direciona,
Mas há dias em que nossa paz também tenciona.
De há muito que te persigo...
És como a luz que ao horizonte fito...
Também és, para mim, sinal de perigo,
Vendo-te, assim, de ti corro aflito 
E sequer posso afastar-te com meu grito.
Por vezes és juiz 
E lança-me à face tudo o que fiz.
Em outras, sendo algoz,
Fere-me com seu grito feroz.
Também és manso regaço,  
Quando coisas Certas faço. 
Certas coisas Certas,
Que se me nego,  
Abrem-me os olhos de cego 
E ferem-me como setas,
Bem agudas decerto,
Para que longe eu fique do deserto.
Supremo Tribunal da Consciência,
Que nos ensina a Lei da Boa-Vivência,
Oh, Supremo Tribunal,
Cuja Justiça Absoluta é o fanal,
Guia-me com teu canto,
Para que eu não caia em pranto,
Num triste canto,
Ao final.

Francisco de Sousa Vieira Filho 
FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p. 22.

segunda-feira, 1 de março de 2010

ANJO DE MIM

 
ANJO DE MIM

Quando o anjo cândido se distou de mim 
Qual se sua simples ida me houvesse privado 
Da própria vida, o frágil coração dilacerado 
A dizer-me: tempo faz que ando triste assim... 
Sem a doce palavra que minha’alma alimenta 
O suave fragor de tão ansiosa tormenta 
De envolvê-la, o corpo frágil, em meus abraços 
Tão poucas vezes, quão fugazes os percalços 
Sem o perfumoso aroma de sua pele nua 
Que de cálidos sonhos povoa a alma inculta 
Faz sofrer de querê-la e de querê-la inda não posso 
Que por mais extenuantes sejam meus esforços 
Não consegue mais calar ao peito a dor pungente 
Tampouco, subjugar-me a alma inerte e sofredora 
Que só peço a Deus que tão logo me socorra 
Possa eu provar de novo uma tão desejosa companhia  
E acalentar-me em seus alentos, na sequiosa porfia 
De pousar a sofrida cabeça uma vez ainda 
Em seu cálido seio acolhedor

Francisco de Sousa Vieira Filho.

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p. 12.

ARTE: Andrew Gonzales - Unyo Mystica

sábado, 27 de fevereiro de 2010

PÃO

 
PÃO

Nem só de pão vive o homem
Como que criado em suplício
Dor e vazio se lhe consomem
Luta severa e sem armistício

Se por tal fome se lhe tomem
De cujo saciar não há indício
O que se denomina o homem
É o que se o define de início

E arde em ânsia e em desejo
Por tudo o quanto lhe rodeie
E de paz em si não há ensejo
Nem bálsamo que a isto freie

Vazio e eterna busca residem
No que é mais seu, a natureza,
Sem que se possa dizer ilidem
A porção de sua torpe baixeza

E se na criação quis ser idem
Ao Ente que lhe cedeu beleza
Marcou para que a si lapidem
As criaturas e por tal sutileza

Um querer que não se ofusca
É como segue o ente humano
Que tudo quer e a tudo busca              
Na proporção de um oceano

Francisco de Sousa Vieira Filho

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p. 25.

ARTE: erooups.com/img/img2/20091230/erotic/daily_erotic_picdump_171_48.jpg

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

POEMETOS DA HORA DERRADEIRA


 
EQUILÍBRIO

Sob a égide do medo,
Se deixa de viver;
Quem vive sem prudência,
Por certo,
[igual pecado]
Logo há de fenecer.
Equilíbrio delicado
Desperto
Como se tal ciência
Revelasse o que há de ser.

Francisco de Sousa Vieira Filho.
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REDENÇÃO

A aceitação do erro,
Da falibilidade humana,
É o que nos absolve...
Cativeiro semicerro
Que aos incautos engana,
Quando então nos volve,
É a santidade distante,
O irrealizável guante
Imposto por não-santos,
[Como nós]
A despeito sejam tantos,
[Também sós!]
O que mais ainda lhes condena
E só lhes assoma a pena.

Francisco de Sousa Vieira Filho.


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ARTE: http://data.tumblr.com/0ZEBnoQrc67dkc24ZvySUokC_400.jpg

O SEGREDO DO ABISMO



O SEGREDO DO ABISMO 

Num furor de mil ondas hei cismado 
E pelas vagas seguirei inconformado, 
Negando-me até o menor linimento, 
Se me oculta o rumo, o firmamento. 

Se é amando que se aprende a amar, 
Tão certo quanto a amplidão do mar, 
Se é vivendo que se aprende a viver, 
Que por certo é imprescindível crer. 

Contra toda a imprecação e truísmo 
Preciso se faz beirar o tredo abismo 
E saber menos dista o distante cume 
De um tal lugar, sem qualquer lume 

E se um triste evento nos faça quedar 
Num tal buraco que não tenha fundo 
Que se saiba ser inútil se desesperar 
Que isto não é nunca o fim do mundo

Francisco de Sousa Vieira Filho

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p.11..

ARTE: http://ffffound.com/image/4450621254ba1acbeb576053d693a2e4f87547b0?c=4913620

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VENDETTA




VENDETTA 
(a Felicidade de Goethe e a dor de Ihering)

                   I 
Não chores por ter sido tu 
Por outrem, calcado aos pés 
Outro dia ainda nasceste nu 
E isso não te foi por revés 

Se te tiram hoje tudo o que tens 
Os que julgam fazer-te o mal 
Não angariam sequer vinténs 
Do maior bem celestial

Mal maior a si mesmos fazem 
Lutando por tesouros desta terra 
E bem longe do Tesouro jazem

De nada adianta toda luta e toda guerra 
Se em todo mal que perfazem 
Tamanha tristeza encerra 

                          II 
É com o esvoaçar das pétalas da rosa 
Que se percebe ali todos os males 
Não estando enxertos na fibra aquosa 
De que nos falava um certo Tales 

O mal revela suma ignorância 
Sendo a vida a doce infância 
Desses seres de essência imortal 
Encerrada num corpo simial 

Desperta, ó criança, sem temor: 
Nasceste pra saber que um dia perderás 
Tudo a que nesta vida te apegas e dás valor 

Morreste pra saber que vives em fulgor 
E o Tesouro da Verdade cultivarás 
Sem de novo sentir fome, frio ou dor

Francisco de Sousa Vieira Filho

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p.17 e 18.

ARTE: http://fc02.deviantart.net/fs71/f/2010/022/a/4/V_For_Vendetta_by_Animixter.jpg