The Lair of Seth-Hades
Arte: Meats Meier - http://beinart.org/artists/meats-meier/gallery/meats-meier-2.jpg

Presente do amigo Zorbba Baependi Igreja - artista plástico, poeta e um dos idealizadores da Revista Trimera de Letras e do Projeto Academia Onírica [poesia tarja preta].

LIRA ANTIGA BARDO TRISTE & LIRA NOVA BARDO TARDO

Galera, estou pondo uma conta PagSeguro à disposição, para quem [assumindo o risco por sua própria alma] tenha interesse em adquirir um de meus livros [Lira Antiga Bardo Triste ou Lira Nova Bardo Tardo]. O custo de cada exemplar é de R$ 10,00 + R$ 5,00 de frete. Valeu! :D

P.S.: a PagSeguro não fornece um sistema de cadastro de vários produtos, de modo que, quem efetue a compra, deve me enviar um e-mail [iarcovich@hotmail.com], ou mesmo me deixar 'comment' aqui mesmo num dos 'posts', dizendo qual exemplar deseja receber. Por hora, a forma de pagamento disponível é apenas a de boleto bancário. Amanhã já liberam pra cartão. ;)

Pag Seguro - compra dos livros

Carrinho de Compras

sábado, 18 de setembro de 2010

TÁ.TE.ANDO AQUI AMOR TE AH.NUM.CIANDO MAIS

TÁ.TE.ANDO AQUI
AMOR TE AH.NUM.CIANDO MAIS

E eu me pego aqui,
És.tocando-te alimento,
Pra sem[ti] depois...
Pois bem sei,
Logo vais me deixar...
E que não tarda a tarde
Em que te vais...
É que aproveito
Estes meus ais
Que não de dor
Comigo estão
Mas não contigo
Enquanto juntos...
Ainda...
Leve e pouco a pouco
Foice mudando.
E eu sem ti tudo...
É o que me eras.
Te vi agindo diferente,
Ao passo que eu
Me viajando aqui
E tá.te.ando ali,
De um lado pra outro,
Sem sair do lugar,
A pressa.em.ti
Que invernos eram.
E mesmo a despeito
Dos momentos
Em que em.cruz.ilhada
Em meu corpo eras...
Passadas...
Ainda em.ti.mi.dá isso,
Mas não dá mais.
Cama.arada sempre
Esteve a te esperar
Porque flor.é.ser-te.
Mas não vingou,
Ao peso do desprezo
Estéril teu.
É que o teu ensejo
Já não seja mais o meu.
Em.levada de si
Em seus laivos sucessivos
Você veio rio caudaloso.
Vestida da tristeza mais fria,
Enregelada pele tua,
Como há muito já me vinhas...
Vinho amargo.
E eu te cingi de sol da manhã
A cada vez que vi,
Como agora,
Que já não eras há eras.
Restou esse buraco negro,
A desmontar-se.
Mas persisti e te segui,
Como sigo
Em meu cismar sísmico,
A te sentir cada mínima nota,
Cada pequena nuança,
Da imperceptível mudança,
Que em ti já sentia,
E que já se ah.num.ciava,
E há muito,
Como sem querer acreditar,
Mas como ainda assim.
E o acre dito que de teus lábios
Vomitarão, lava vulcânica, um dia,
Também hei...
Sei que sempre foste pendular:
Longe, se me estava perto,
Perto, se longe estávamos,
Ah, mas como, sim, tu...
Mas já sem ti
Se é só comida fria...
Pois sei que foice
Há tempos ceifou-te
Flor.esta
Que Deus
O nome deu
Amor.

Francisco de Sousa Vieira Filho

ESCULTURA: Kate Macdowell  - http://www.katemacdowell.com/portfolio.html

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

GIRAMUNDO

 
GIRAMUNDO

Há em nós o anterior à palavra...
Que o após seja doutra lavra
É que nos dormita o primitivo
Ancestral e habita no que vivo

Da metafísica, somos o que cala...
Em ritmo, o outro ser do signo
Rotação que nos transforma em ciclo
Movimento donde brota corpo e fala

Mas é certo que não tarda...
Se pressinta o que nos arda
É giro e é roda e é alma
O que pulsa e não se acalma

Se esse nós da linguagem trata...
Que na prosa tão-logo esvaia
Pois se nela a razão se aclara
É na poesia que a loucura exala

Adriana Araújo Pólenradioativo
& Francisco de Sousa Vieira Filho

GIRAMUNDO [II]

Pois ía muda rumos... mundo gira e muda rumos, porque pois ía foice... e não é a poesia que precisa do mundo, o mundo é que precisa depois ía, justo porque ela imprecisa. É que pois ía diz.atando os nós, mas até os cegos cura... e foice...

Francisco de Sousa Vieira Filho

DESENHO: Manu Maltez - http://manumaltez.blogspot.com/

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

COR.TE N'ALMÁ - prosas poéticas (I)

SERVO EM TI HÁ

Que escrever servo.em.ti a tem. Escrever não serve, é servido – tem posse, mando e domínios próprios. Não se enquadra fácil no rótulo utilitarista, como meio para se atingir algo, mas é fim [em si e por si]. É alvo, seta, alça de mira, disparo e projétil, deixando pólvora incombusta na passagem. Dizer sem dizer, eis a idéia! Ocultar sob os sete véus e sentir até onde ousa cada leitor se embrenhar. Ou se exerce uma crítica às vozes ou a elas bem se entrega, não há outro caminho. Escrever é vício e é terapia; é brincadeira e agonia [utopia?! - talvez]. A um só tempo ardor do sol e estio da treva. E é muito mais do que nos pareça, sob os véus em que se esconde essa vontade de grafar [como fizeram os primitivos] nossa parca passagem neste mundo full gás. É que é veículo com o que a alma enxerga mais. E se pressente urgências por trás das palavras, quando a poesia é carro.céu de fogo e veículo de sentires e forças que não pode conter – ela extravasa. Calar-se, então, que o amor fala mais, que o excesso de palavras só desfaz, a beleza destes tristes ais.

Francisco de Sousa Vieira Filho
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NA CUMEEIRA DO TEMPO

Acerto a seta ponteira com que teimo e tanto. Me fio, à linha inteira, dos ponteiros, quanto. E tento e limo e moldo me consigam manto. No fundo de meus ossos, soldo, forço até o pranto. E limo pele e alma, de profundo; e perco mais que a calma, o próprio mundo. Os pontos que da rinha, qual se advinha, eles me são. À porta deste céu me proteja o véu. Que se avizinhasse, mas não é nem tanto. E tão logo passe o seu triste canto. Ah, se isto fosse, mas é fosso e longe. Seu aroma doce bem distante passa. E num só instante ele se perpassa. Do tempo vil sem eira, a dizer se queira, tenha outra função; pois nem bem à beira, a razão meeira há de ter porção, co’essa a.parte inteira que é do coração. Só me resta então, nesta cumeeira do tempo ter comigo alento que consigo. E o pranto que o futuro inventivo inventa. No seu triste encanto, ele até que tenta – e sempre! É que força o ventre. Quer par.ir singularidades duplas, se só.lhe.dão isto. Quer-se algo novo e di.verso, mesmo nada possa haver de novo  sob o véu do sol. E, assim, seguem os dias nesta dança, nos volteios e firulas de criança. E dispensa o ciclo todo, que o pêndulo só explica. Tudo recomeça, é o que, de novo, ele suplica.

Francisco de Sousa Vieira Filho
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PRIMITIVO

Deixar de estar e vir-a-ser, se se perde de si nas cogitações. Mas as raízes inda estão lá, ensinando o caminho de casa, como se falassem tudo o que quero dizer e não disse. Guardam aquilo que reside na proto-palavra, no seu nascedouro, berço de estrelas. Há um desejo de completude infindável nelas ou é o que há em mim ao lê-las antes de traçadas no papel. Sigo ponte.ilhando pautadas palavras precisas. E que ficariam melhor sem eles – os pontos. Perdidas umas das outras em dê.lírios ou dê.leites dom.di.verte também mel, sobretudo se lambidas por quem saiba. Uma flor.esta em que se perde para se encontrar o alter-ego poético alter.nativo.

Francisco de Sousa Vieira Filho
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Foto: André Gonçalves [redator, publicitário e fotógrafo piauiense] - Barco em Jeri - http://www.andregoncalves.fot.br/

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

R.ÁSTROS



R.ÁSTROS

(I)
Ele que foi a serpente emplumada,
O portador da luz da ilha sagrada,
Daquele antigo leste que se partiu,
Restou a sabedoria de Quetzacoatil

A beleza frondosa da terra amada
Que se desfez numa só engolfada
No furor do oceano que bramiu
Foi ele a última centelha que viu

Mas pôde salvaguardar um ceitil
Derradeira chama pálida produziu
Do menor conhecimento e de cada

E de tudo o que ficou logo baniu
Escolhos que quisera do mais vil
Se perdessem nesta nova empreitada
 


(II)
Novamente semente a ser plantada
À sementeira nova chance fora dada
É que quisesse sem o dano que feriu
Àquela que o outro curso já seguiu

E, se obteve êxito, se ele conseguiu
O sequioso intento que era seu ardil
Com o esforço de sua mão edificada
A tela do futuro inda resta embaçada

Somos nós que colheremos cada til
A quem foi dada a trilha já traçada
Aos lindes de passado outro atada

Se ressurja inda uma vez primaveril
O fulgor que naqueles idos já se viu
É mister que nossa força seja alçada

Francisco de Sousa Vieira Filho

IMAGEM 1: http://hiscrivener.files.wordpress.com/2008/07/quetzalcoatl.jpg
IMAGEM 2: http://fourcolorcomix.com/~fourcolo/images/f/fb/FCCQuetz.jpg

terça-feira, 31 de agosto de 2010

SÔNIA

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a postagem.

domingo, 29 de agosto de 2010

FRENTE & VERSO e BAFEJAR DE DEUSES



FRENTE & VERSO

No verso, toda folha tem ranhuras
São teias com inscrições obscuras
E veias de um amarelo insondável
Que, também, faz-se inquebrantável

Elo.si.dando aquilo que procuras
No seio, doutro seio, quer amável
Se quer dá-se além palavras duras
As que caídas em papel palpável

E atordoa outros papéis encena
A todos marca o mesmo triste emblema
Que amarela ou amarele, tudo quebra

E não se pode bem fugir a esta regra
Que amar.é.lá[r], pois aqui é só blasfema
Que, do outro mundo, a.mor te acena

Francisco de Sousa Vieira Filho
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BAFEJAR DE DEUSES

À boca tua que ao mundo beija      
Que outro sabor deveria afeiçoar-te
Senão o que mais tempo passa aí?!

O doce da hortelã que ela bafeja
Só, em fugaz instante, vem felicitar-te
Sonhos dum mundo distante daqui

Francisco de Sousa Vieira Filho
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PORQUE BELO [E JULGO ATÉ MELHOR QUE O MEU], TOMEI A LIBERDADE DE PÔR AQUI, LADEANDO A ESTES, A RESPOSTA POÉTICA CARINHOSAMENTE FEITA AO SONETO FRENTE & VERSO PELA POETISA ADRIANA ARAÚJO DO POLENRADIOATIVO. ESPERO QUE APRECIEM:

DIVERSO

Aquilo que na folha já nasce enraizado
Enquanto amarela, difícil é que pereça
Nas ranhuras, que aparece derramado
Ensina, de risco, manter distância ilesa.

Atento, há de ver em papel manchado
Triste alimento que lhe corre nas veias
Amarelo esquecido de um tempo gasto
Compulsão perdida contra sorte alheia.

Diverso seria escolher outra passagem
Quer amarele o inverso posto, medeia
Quando amor te calcina a vã miragem,

Em desamparo, na busca do que seiva
Amarelado cobertor d’uma escrita torta
No seio, a solidão do verso que mereça.

Adriana Araújo polenradioativo


FOTO: Francisco de Sousa Vieira Filho

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ú.TER.Ú & ETC...



PERSCRUTAR TEU Ú.TER.Ú

Ao se ler e se admirar quem escreve, se quer, sempre, antever o quanto da alma dele está impressa na escrita, o quanto ele se permitiu aprofundar de si ali, o quanto se perdeu nos meandros dos grafismos no papel. No quimérico mistério, se quer saber o quanto és.finge-dor e quanto dói na esfinge o seu mistério. e quanto mais bela é a escrita, quanto mais profunda e tocante, quanto mais se revela artística e mágica, quanto mais nos toca, maior o desejo de sondar a alma por trás do escrito. Principia-se em pesquisa biográfica e termina com o querer conhecer seus amores e dores, ler as cartas menos artísticas e mais pessoais por ele enviadas, e até a.fagos.citar cada uma de suas menores lembranças como se frases de efeito e balizas do viver. Passa-se a amar cada vez mais a alma do escritor que seu escrito... É que se quer saber, em verdade, quanto há dele no branco entre as linhas, no vão entre as letras, na aspereza impessoal do papel impresso, despido das marcas da passagem de suas mãos, sem a pressão exercida ao grafar cada letra. E se desejaria encontrá-lo ainda no rodapé das páginas à espera de rabiscos e notas que se.quer possam suprir o vácuo sentido...


Francisco de Sousa Vieira Filho


AO EM.BEL.LESAR

Divisar o belo no imperfeito, no falho, no humano, como aprecia o expert na obra antiguíssima, mais as ranhuras que o tempo lhe fez, que as pinceladas do artista, é algo raro, extremamente raro... que se dirá de ver o belo no feio, ou mesmo no grotesco, na arte de cunho soturno, na decrepitude das velhas construções, na madeira podre, naquilo que trás e guarda a mesma marca que nos marca o tempo dos ponteiros. Gostar da vincada pele como goste dos sulcos da rocha esculpida que o tempo pacientemente desgasta – acaso isto não é amor?!...


Francisco de Sousa Vieira Filho
 

A.COSTA.O.MAR

Amar é trabalhoso. Exige entrega e tempo. Conhecer manias, temperos, gostos. Apreciar mesmo o que causa.a.dor de nossa alegria. É o perfeito equilíbrio de se bem-querer neste limiar imponderável entre vício e virtude. São gestos e atitudes, a pontilhar em cada dia caminho que se faz ao fazê-lo. E é zelo, entrega e atenção, no pulsar do coração. De mexer nas fibras mais íntimas, pra, por fim, desconhecer, no bom tecer de cada dia. E é desaprender e a tudo refazer inda uma vez mais, mesmo a despeito de tantos ais. Que a tela da vida se pinta e é nova arte e todo dia. 


Francisco de Sousa Vieira Filho

PRA.LAVRAR VÃO

Algumas palavras são mais que palavras, são frases inteiras, falam muito além do que o seu significado pode condensar em suas poucas letras; outras são textos, a dizerem muito, deveras; mas há aquelas que são livros inteiros e imensos volumes: sussurrar, mordiscar, sorver são bons exemplos... palavras que têm alma maior que seus corpos...

Francisco de Sousa Vieira Filho

FOTO: suren manvelyan -> http://www.behance.net/paronsuren/Frame/428809

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DEPRESSÃO


DEPRESSÃO

Às ocultas, sempre, eu perquiria
Nos refolhos de minha tenra idade
O reflexo que em mim luzia
Da Justiça, do Amor e da Verdade

E bem mais durado isto teria
Se, do dia, a outra face, da maldade
Não me engolfasse, na caducidade,
A mais terna luz que mal nascia

Que essa pálida semente padecia
De sua gêmea-irmã, fatalidade
Que, na sombra-estiolada, urdia

Tola idéia de que se és.vazia
Toda a vida desde aquela idade
Que me toca e enoita até o dia

Francisco de Sousa Vieira Filho

FOTO: Alvaro Sanchez-Montañes - desetindoors - http://www.zupi.com.br/index.php/site_zupi/view/deserto_entre_quatro_paredes/