quinta-feira, 21 de abril de 2011
RASCUNHO & RATIO
RASCUNHO
Aprecio o quedar-se no rascunho
A beleza que se faça incompleta
Imperfeita, feita o próprio punho
Que, na criação, é desafio esteta,
Torto caminho, para bellum meta
Do que se quis fosse testemunho
Que mais belo do que a linha reta
É aquela, em que, com esse cunho,
Se despeça de pretensão perfeita
E que por amor à linha rarefeita
Nela inda mais gênio se pressinta
É o que sinto, quando, certa feita,
Se um fio escapa por tua nuca e deita
Te faz arte com a mais bela tinta
Francisco de Sousa Vieira Filho
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RATIO
A visão não confere a dimensão
Real, do que, de fato, possa haver
Nem leva à necessária conclusão
De que se baste ver pra conhecer
É estranho se precise ver pra crer
Como estranhos abismos o são
Os que se abrem entre ter e ser
E a tudo nubla, devora a menção
De que pra conhecer só baste ver
Quanto mais se demanda à noção
Quer tenhamos uma tal pretensão
Se é a razão que nos faz perceber
Ou se um dado inda falta pra ver
Que, de amor, careça a equação
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
AH, CABE... & SOMENTE
AH, CABE...
Ao cabê-lo
Branco,
Cabedal
De estilos
Destilar
Possibilita
Notas novas
Novos tons
E zona gris,
Se não caiba
A cá, bê,
É ‘a’ inda assim
E ao acabar
Ou ar couber
Com os ‘pelos’
Incabíveis,
E a fazer
Algo inda mais vário
Dos caminhos
Todos
Pelos quais
Possíveis,
À cabê-los
Brancos,
Onde não
Caiba
Mais nenhum
Cabimento
Francisco de Sousa Vieira Filho
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SOMENTE
Somente ela,
Quarto escuro,
Me aquartela;
Ela, meu apuro,
Ela, quarto escuro,
Em que o sol não lida
A só lidar a solidão [nela]
Ela, que é só muro,
Ela, quarto escuro,
Sem janela ou luz de vela
Cadafalso da verdade
Mais verdadeira
E por mais queira
Não há brecha e nem vinco
Mesmo tente com afinco
Nela pode penetrar
Me faltasse o ar
Mas o outro falta
Grave
E agrava;
Memoriza, mas não geme
Não se pode suprir e nem tocar
Neste vazio em que se anseia
É prisão da mais fina teia
Na tecida sem volta e sem retorno,
Que em seu indefectível adorno
Ela é só muro
Ela, meu apuro,
Ela é quarto escuro
Que se há dentre
Haja vários
Este é meu
Este sou
Mas ninguém entra ou sai
- Não se pode penetrar –
Pois somente
Neste cubo caiba [um só]
Bem importa saiba
Solidão é bem maior
Do que se supõe
É verdade que se impõe
Desvarios de saber
Que haja sós
Isolados
Ladeados
A fazerem vibrar na caixa acústica
Numa tentativa rústica [de romper]
Embora pouca nota digam
[Ou pouco possam dizer]
Ao resvalar na superfície uma doutra,
No que, a despeito de tudo, suplicam
[Sem saber]
Que mentira, é fato,
Mas nada entra;
Pois somente, só...
- Nada pode penetrar –
Somente, só,
Somente...Francisco de Sousa Vieira Filho
domingo, 10 de abril de 2011
TU ÉS, TREMA... & VÊ! LÊ! JÁ!, A VÊ[R], SÊ, JÁ[R]
TU ÉS, TREMA...
A Paulo Leminsk
Se teu corpo nu.vem
Trespassando os véus
Meus sentidos turvem
Me elevando aos céus
Francisco de Sousa Vieira Filho
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VÊ! LÊ! JÁ!,
A VÊ[R], SÊ, JÁ[R]
A Paulo Leminsk
Quem me dera fosse fase,
Se fiz, era, não me iludo;
Já não é, se me foi quase,
Mas quisesse fosse tudo.
Francisco de Sousa Vieira Filho
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dedicado
segunda-feira, 28 de março de 2011
ANTECIPO
ANTECIPO
Amanhã,
Vi o lado tempo
Eu vim cada pele
[Em tarde ser
Amanhã sendo]
Anacrônico de mim
Estopim assim
Rumoroso
De me vastar
Ou vais tu - que me fico
Cá;
Amanhã,
Violado o tempo,
Eu, vincada pele,
A ruminar lembranças,
A deglutir demoras,
Esperanças e anseios
– Seios todos
Nestas horas;
Pele, pergaminho
Percorrido um dia,
Marcada fica;
E se choro e rio,
Eu, vincada pele,
A ruminar lembranças,
A deglutir demoras,
Esperanças e anseios
– Seios todos
Nestas horas;
Pele, pergaminho
Percorrido um dia,
Marcada fica;
E se choro e rio,
Sem discernir
Do que me diz-dita-cuja
Em qual estar,
Choro é água
Rio é veio diz.sentir,
Mas quer afogar, e é só;
Quer, sendo afago
Da memória
Quer, sendo afago
Da memória
Inglória
Do beijo
Que de novo
Que de novo
Quis se dar...
Amanhã,
Vi, ao lado, o tempo
[E dele quero distar,
Que já não me abraça,
E nem me toca]
Eu?! - Vem cá! Dá pele!
Dor avassaladora
Doura em sala ao lado
Quer?! Me dê.vastar!!!
Dês.dita
Que me é.dita
Nessa fita
Rememora
Em.cena
E me acena
À toda hora
O que se foi
O que deixei
O que já não sei
Se é que um dia hei...
Ei! Eis me aqui
Agora
Em antecipada hora.
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domingo, 27 de março de 2011
Na.TUr.AIS...
Na.TUr.AIS... (versão I)
Um profundo desejo de proteger
Tudo aquilo que fenece e chora
Arde-me ao peito e a toda a hora
Insiste, eu não possa me esquecer
Dessa dor que bem distante mora
Que é choro mais agudo agora
Que aquilo em que se possa crer
Do que não se pode defender
E ante ouvidos surdos, implora
Planta ou animal como que ora
Sem ter um que venha socorrer
Clamando ajuda que já se demora
Rogo inaudível?! Até se pode ver,
Quase tocar – incrível – ensurdecer,
Francisco de Sousa Vieira Filho
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Francisco de Sousa Vieira Filho
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NA.TUr.AIS... (versão II)
Um profundo desejo de proteger
Tudo aquilo que fenece e chora
Arde-me ao peito e a toda a hora
Insiste, eu não possa me esquecer
Dessa dor que bem distante mora
Que é choro mais agudo agora
Que aquilo em que se possa crer
Pois dela não se pode defender
E ante ouvidos surdos, implora
Todo ente vivo como que ora
Sem ter um que venha socorrer,
Clamando ajuda que já se demora
Rogo inaudível?! Até se pode ver,
Quase tocar – incrível – ensurdecer.
FOTO: kate macdowell - 100107.jpg Disponível em: http://obviousmag.org/
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sábado, 26 de março de 2011
A.TRAVE.SE.ÍA DE MIM
A.TRAVE.SE.ÍA DE MIM
Consultei meu atraso de mim,
Nos ossos,
Nus dias,
A saber bem sou assim,
Exato,
Como me medias;
Se dos medos que, um tanto,
Cultivei, hoje sei,
Que um dia hei...
Fez-se, em mim, esta lição:
De que desperto, vivo,
Nas lutas de que são feitos
Os dias
E inda mais vivo
Torno
Estou sempre noutra margem
À margear o que sou
- Inatingível -
Distante
De mim,
De tudo,
E do mundo;
Fitando - crédulo –
O triste rio
Em que me rio de mim...
Infindo rio,
Que ninguém ousa
Atravessar...
Pois que é trave e entrave
No olho do outro
O cisco no seu.
Francisco de Sousa Vieira Filho
FOTO: http://yayeveryday.com/post/9676.jpg
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quarta-feira, 23 de março de 2011
ÉS.POSTA CARNE.E.FERA
ÉS.POSTA CARNE.E.FERA
Tá.aqui.que.ardia
Era cor, ação,
Mas há eras não,
Inda que t[e]ardia...
E [há uma] inação,
Que diz.simula
– inerte –
No diz.senso
Se diverte,
Sem ter algum,
Sem ter noção;
Se gana fosse,
Previa são,
Mas me dou ente
Persistente;
E nus dias
De te florir
É que foice
Ceifou
Pé cá do
[Me.do] o [eu]
Pé lá dá
Cor.agem
Me falta o ar
Mas sê.cura
Que me dá
Que ao fazê-lo
Nesta altura,
Nua em pêlo
Firo a fera
Que é ela
Francisco de Sousa Vieira Filho
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domingo, 6 de março de 2011
SÊ CÁ QUE SE DIZ.HÁ.FOGO JÁ SE APAGOU
SÊ CÁ QUE SE DIZ.HÁ.FOGO
JÁ SE APAGOU
Carnavais
Vão
Se diz: ah, finados!
Os sentimentos
Passados
Em que se
Mergulha.a.dor
Que dor-ida
É que se foi
Foice ela
E eu d’olor ido
Cá
À cá ficar
Mas nem perfume
Dela fica
Se à deriva
Fico
Que dê.cifra
É dar valor;
É querer conhecer
Di profundis;
Mas valor algum
Me.do.eu
Me[ço a] dor
Que é nossa
A dê.sê.já
Mesmo por triz
Que nos seja ou haja
Um bis
Se na pauta fria
E fixa dos dias
Tu te ias
E sol não se fica
Se de mãos dadas
Quer mudas
Quer mudadas
Troco as tuas
Por outras
Assim, zen, tá!
Na quarta-feira
De cinzas
E todas mais
Se outono
Não estou
- Esta.ação
Que não se foi -
As folhas
É que se foram
Francisco de Sousa Vieira Filho
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